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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

095 > O Fradim do Banzé


E de repente, do meio das conversas, ressurge um personagem que, à época, ninguém fazia questão de encontrar, mas de que hoje é ótimo lembrar: o Fradim, aquele baixinho politicamente incorreto, criação do Henfil, sempre atazanando os bonzinhos do mundo. Aqui, na versão da nossa turma, encarnado, com propriedade, estilo e prazer, pelo nosso Paulinho Banzé.
Abaixo, trecho de mensagem do próprio, que, chateado com o papo que rolava nos e-mails, lembrou pequeno exemplo de seus memoráveis momentos de Fradim...

Pôrra, que melação de vocês dois. Fizeram baixar o espírito do Fradim, em mim. Aliás, isso me lembrou que eu constantemente era atacado por este espírito. Uma vez, junto com Luiz Antônio,  Emílio e outro que não lembro, estávamos caminhando pelas ruas de Olaria quando encontramos uma borboleta presa numa poça d’água. Cabeça, com seu espírito de compaixão e sonhador, apressou-se em salvar a coitada que se debatia sem conseguir se livrar daquele que seria o seu fim. Esperamos calmamente o Luiz salvar a borboleta e que ela desse sinais de recuperação. Quando isto aconteceu e a borboleta bateu as asas para alçar vôo, o Fradim Banzé apareceu e pisou na pobre coitada, matando-a e deixando aparvalhado e sem palavras nosso querido Luiz Antônio, que não teve reação, apenas abriu a boca e ficou a me olhar estupefato. Quás, Quás, Quás, Quás, Quás, Quás, Quás, Quás, ...,
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, rimos demais da cara do Cabeça.
Lembranças de um tempo que passou.
        Banzé

Para não pensarem que eram apenas casos de surtos repentinos, o depoimento de Lídia Vestes, do tempo em que andava distraída, procurando sabe-se-lá-o-quê nos astros...

Eu tenho também um episódio para narrar, a respeito daquele que, depois de tanto tempo sem dar as caras, eu julgava exorcizado da alma de Banzé: mais ou menos em 1986, quando os astrólogos prometeram e juraram que veríamos nos céus do Brasil a passagem do Cometa Halley. O período coincidiu em minha vida com o que eu julgava ser um complô cósmico contra mim, e o cenário à minha volta era de chuvas e trovoadas. Achei que, por um tipo de compensação,  era o momento de viver um sonho lindo; que poderia olhar para o alto e assistir de graça - detalhe da maior relevância e que fazia toda a diferença   – a um espetáculo inesquecível.  Esperando por este dia, fiz vigília, comprei a camiseta que dava as boas vindas ao cometa e, como todos os que acreditaram, esperei, esperei e esperei.
Até que uma tarde de sábado – já quase se esgotando a data limite para avistar o fenômeno, eis que surge em minha casa  o “Fradim”  materializado na pessoa de Banzé, acompanhado por Vendrami (mero coadjuvante, que não tinha sequer noção do que se passava) e Derval (creio que vi uma certa cumplicidade na dupla), jurando que soubera que dentro de instantes o cometa seria visível da varanda de minha casa, motivo da sua presença  naquele lugar privilegiado.
Paulinho Banzé
Barra do Piraí,
Abril / 1972

Vibrei de emoção; coloquei a camisa que marcava o acontecimento e me posicionei; cheguei a juntar as crianças (para o mico ser maior). Cheia de emoção e com um restinho de esperança, custei a perceber que aquela risadinha do nosso “amigo” denunciava alguma armação. Quando perguntei a ele se por acaso estaria me sacaneando, ele respondeu: “Ah! Não vai dizer que não está vendo o Halley...”. É que, muito solidário com minha expectativa, ele havia colocado no meio da folhagem do meu jardim um retrato do Halley que – bondosamente, é claro, ajudara a colorir.
Bandeira, não foi só a tua brabuleta (não é o que muitos podem pensar!!!!) que ele feriu de morte; meu orgulho de ser dona da filial do planetário, também. Vai ver ele acha lindão sacanear os outros.  Mas Deus tá vendo e anotando!

Curioso é que (interpretação minha, podem discordar...), enquanto Paulinho fazia de tudo para botar pra fora seu lado sádico e malvado, nós víamos nele a figura gracinha, simpatiquinha, daquele cachorrinho amoroso (mas esperto e bagunceiro), uns dos filhotes da Dama e do Vagabundo...

Quem conta outras?
Eu não lembro de história nenhuma, talvez porque me cuidava e saía de perto...

Aliás, faltavam fotos do Banzé, da época, neste blog, mas a Verinha lembrou que tinha esta... 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

070 > De coração na mão

Eis aí um dos nossos que deu certo...
Nem todos os que um dia fomos da turma de Olaria alcançamos a fama, a glória e o sucesso, não necessariamente nesta ordem, peso ou reconhecimento... Questão de disciplina, persistência, sorte ou sabe-se lá que outro insumo é necessário... O fato é que nem todos frequentam a mídia, as páginas, as telas (e nem é o caso, agora, de abrir um concurso...), a não ser os mais chegados às artes cênicas. Somos até privilegiados (ao menos para as conversas de bar ou de festinhas familiares): temos sempre o perfeito exemplo do famoso Perfeito Fortuna, que citamos de boca cheia aos desavisados, aos incrédulos e aos netinhos, próprios ou adotados.
É bem verdade que os nossos emergentes e celebridades são discretos e, naturalmente, pouco disponíveis para colaborações ou comentários no nosso blog, uma vez que reservam seu precioso tempo para intervenções de mais fundo valor social e econômico.
Por isto, entusiasma (mas não surpreende) encontrar nas páginas do jornal Destak, distribuído nas bocas do metrô do Rio, uma entrevista (que, sendo pública, o blog orgulhosamente repercute) em que o Dr. Emílio Zilli (ele mesmo!) dá importantes dicas sobre como cuidar do seu coração, ele que tem tido na mão muitos dos alheios...
.
Jornal Destak, terça-feira, 30 de agosto de 2011, pág. 7
 
Por via das dúvidas, cabe destacar o alerta contido na última frase da entrevista...
Que é, para muitos de nós que não alcançamos o sucesso econômico-financeiro, quase um reencontro anunciado: estando no grupo mais propício aos problemas cardíacos, talvez tenhamos a oportunidade de relembrar os velhos tempos da turma de Olaria, caso sejamos tratados, quiçá retirados das garras da morte (que nos permitam os santos planos de saúde!...) pelo próprio Dr. Emílio Zilli...
Tomara!...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

040 > As prisões do AI-5

O assunto está na pauta há tempos, mas ninguém contava por inteiro a história! 
Apenas algumas referências, não dava para editar... 
O Charles até que contou a sua “não prisão”, a escapada para Minas Gerais (em 032 > Ativismo na Igreja de São Geraldo), que repito aqui:

. Perseguição e Desaparecimento – No final de 1968 houve um mandato de prisão para três do nosso grupo: eu, Perfeito e Emílio. Os dois foram presos juntamente com Caetano Veloso e Gilberto Gil. No momento em que estes dois integrantes do grupo de jovens eram presos, fui avisado de que eu seria o próximo, consegui fugir e fui trabalhar no interior de Minas Gerais.


Há poucos dias encontrei Antonio Valente, que lembrou que estava na São Geraldo quando “os homens” vieram, ficou de escrever sobre...
Eu vagamente lembro que cheguei na igreja e tinha acontecido. Conversas sussurradas, ambiente clandestino, acho que voltei disfarçadamente para casa...

Eis que o dia chegou e ia passando...: 13 de Dezembro!
Aí, o Mauricio mandou esta mensagem, em caixa alta:
HOJE FAZ 42 ANOS DO FAMIGERADO A.I. 5, DE TRISTÍSSIMA MEMÓRIA, QUE TANTO MARCOU O PAÍS, A NOSSA GERAÇÃO E A TURMA DE OLARIA. SOBREVIVEMOS E COM GRANDE DIGNIDADE.
FRATERNO ABRAÇO A TODOS OS AMIGOS/AS.

Então, é a hora!
Abaixo, um fragmento recuperado dos nossos e-mails: fala, Banzé!
E a feira de artesanato na Praça de Bonsucesso, do dia 13 de dezembro de 1968, sexta-feira, que coincidiu com a decretação do AI-5 às 18 h, quando Emílio e Perfeito foram presos ao sair da Igreja com as bugigangas que íamos vender?
O Cony e o Dori, acho que o Álvaro também, me avisaram para eu me mandar porque estavam procurando por mim. Até hoje não sei se isto era verdade ou não mas na dúvida arrumei a mochila e vim parar em Caeté.
Caramba! São muitas lembranças e eu só me vejo metido nos casos políticos deste grupo.
Somente as meninas visitaram Emílio e Perfeito na prisão porque era mais seguro, era assim que se falava e se falava baixo ao pé do ouvido com receio de alguém escutar. Que merda!

Em comentário no 031 > O curso do Artigo 99, Bandeira já lembrara:

 (...) a repressão do regime militar que se abateu sobre nós, de forma violenta, naquele final de 1968 ("O Ano que não terminou", leiam a obra do Zuenir Ventura!), com a edição do AI-5 e a prisão de Perfeito, Emílio (mais quem?), exatamente quando nos preparávamos para participar de uma feirinha na Praça das nações, em Bonsucesso, para angariarmos fundos para ajudar na compra de uma casa para uma senhora pobre que morava no hoje "Complexo do Alemão", em Olaria (lembro-me: estava voltando do Colégio Ferreira Viana, no famigerado Caxias-Praça da Bandeira, quando ouvi pelo rádio do ônibus que havia sido editado o AI-5, e ao chegar na Pça. das Nações, encontrei todo mundo assustado, com a notícia da prisão dos companheiros...)

É assunto para muitas mais versões e reflexões!
Volto a abrir o espaço à participação de todos...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

032 > Ativismo na Igreja de São Geraldo

Com iniciativa de Bandeira, esforço de Natália e contato de Guina, reaparece o Charles!
E ele envia seu depoimento:
MINHA ATIVIDADE EM 1968 E 1969 - GRUPO DE JOVENS DA IGREJA DE SÃO GERALDO
. Contexto Político – Em 15 de março de 1967, assume a presidência o general Arthur da Costa e Silva, após ser eleito indiretamente pelo Congresso Nacional. Seu governo é marcado por protestos e manifestações sociais. A oposição ao regime militar cresce no país. A UNE (União Nacional dos Estudantes) organiza, no Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem Mil. Em Contagem (MG) e Osasco (SP), greves de operários paralisam fábricas em protesto ao regime militar. A guerrilha urbana começa a se organizar. Formada por jovens idealistas de esquerda, assaltam bancos e seqüestram embaixadores para obterem fundos para o movimento de oposição armada. No dia 13 de dezembro de 1968, o governo decreta o Ato Institucional Número 5 (AI-5). Este foi o mais duro do governo militar, pois aposentou juízes, cassou mandatos, acabou com as garantias do habeas-corpus e aumentou a repressão militar e policial.
. Atuação no Movimento Estudantil do Rio de Janeiro – Eu era estudante da Universidade Santa Úrsula (USU) neste período e participava dos movimentos estudantis. Havia sido Presidente do Diretório da USU e tinha relações com a Juventude Universitária Católica (JUC). No fim do ano de 1968 me formei nesta universidade.
. Grupo de Jovens da Igreja de São Geraldo em Olaria – Esta Igreja, da responsabilidade de três padres espanhóis - Antônio (dirigente), Cipriano e Severiano (auxiliares) -, formara um grupo de jovens. A minha contribuição naquela ocasião foi a de proporcionar atividades que colaborassem na conscientização e engajamento da comunidade de Olaria na redemocratização do país.
. Algumas das Atividades – Jogral na barca Rio-Niterói. Peças teatrais na rua, segundo a metodologia do Teatro do Oprimido. Filmes “subversivos” passados na própria Igreja. Luta pela reabertura de uma biblioteca de Olaria. Palestras em outras igrejas. Viagem sem dinheiro e pedindo carona com Perfeito Fortuna até Montevidéu no Uruguai.
. Perseguição e Desaparecimento – No final de 1968 houve um mandato de prisão para três do nosso grupo: eu, Perfeito e Emílio. Os dois foram presos juntamente com Caetano Veloso e Gilberto Gil. No momento em que estes dois integrantes do grupo de jovens eram presos, fui avisado de que eu seria o próximo, consegui fugir e fui trabalhar no interior de Minas Gerais.
. Anos Depois – Soube que criaram um curso gratuito, fizeram viagens, os padres abandonaram o sacerdócio e se casaram, meu pai se tornou o chefe deste grupo, minha filha participou. Tive algum contato com: Perfeito, integrante do Asdrúbal e dono do Circo Voador; Emílio, que se tornou médico; José Antônio Bandeira, sociólogo; Fernanda, área/saúde.      
. Quem fui, sou e fiz – Tive três filhos: Demétrius (1970), Ulisses (1971) e Natasha (1974). Era para ter mais três. Desde 1983 convivo com Ana Luiza, tendo me casado com ela na Igreja Messiânica Mundial do Brasil em 1991.
Para maiores detalhes visite meu blog:
http://charles-cgf.blogspot.com
Charles Guimarães Filho

domingo, 21 de novembro de 2010

031 > O curso do Artigo 99

Finalmente, com o (meu) desenrolar dos acontecimentos, o curso de Artigo 99 da igreja de São Geraldo!
Aí vão os depoimentos, mas podem vir outros...
     Banzé > Agradeço as palavras carinhosas do Guina e do Maurício, ao lembrarem do artigo 99, que foi mais um fato marcante da turma de Olaria. (...) Vamos precisar de todos para falar sobre isso. Desde a primeira reunião onde estavam presentes Cipriano, Perfeito, Luis Antônio, Emílio, Augusto, Dori, eu, acho que o próprio Maurício e ... pronto a memória me trai; passando pelos convites aos componentes do Grupo para participarem. A elaboração do questionário que deveria ser preenchido, já com a presença da Lúcia para nos ajudar na redação até a organização da secretaria com a Natália e o Zuíno, sem a dedicação dos quais o curso não funcionaria. Pô, temos muita coisa para lembrar desse artigo 99, inclusive o meu namoro com a Dalva, nossa aluna, irmã do Renatão, e a minha saída de carro (comprado pela Betinha, e que eu "peguei na mão grande" sem pedir, e nem tinha carteira de motorista e não tenho até hoje) com uma outra das alunas que paquerei e acabei batendo na traseira de um ônibus.
     Mauricio > Entrei para a turma de Olaria meio por acaso, levado pelo Bandeira, por causa do Curso e depois a peça Morte e Vida Severina (que ator revelou, né?, Perfeito Fortuna), onde tocava violão e numa segunda fase, substitui o Emílio e fui "coveiro", junto com o Banzé.
Não tive grande importância para a turma, mas esta teve grande pra mim. Não estive lá desde as origens, viagem só fui a uma delas, mas tudo foi muito marcante, especialmente o Curso.
Eu dava aulas de História do Brasil e o Bandeira de História Geral... do Egito, apaixonado que era pela Hercília, nossa charmosa professora de Hist. Antiga do Curso Pré-Vestibular Diplomados.
Pra mim o Curso foi uma experiência política, cultural e amorosa. Ali conheci e aprendi com grandes figuras. Todos muito jovens, mas cheios de garra no coração e boas ideias na cabeça.
O que não faltava era deboche... Aí, não me contive e um dia criei o Prêmio Mussolini 1970, a ser dado ao professor mais autoritário entre nós. Quem ganhou, quem?... O querido e doce Ronaldo "da Lúcia", que tirava ponto e colocava pra fora de sala, por qualquer atraso e falta de atenção. Aqueles senhores, alunos e alunas com idade quase de nossos avós, tendo que sair de sala e ainda eram obrigados a agradecer ao Ronaldão. Grande saudade de vc, meu querido amigo Ronaldo!!! E, claro, da "sua Lucia".
Mas, de todos nós, pra mim quem melhor resumiu aquela experiência do Curso foi o querido coordenador e mestre Paulinho Banzé, nosso coordenador, sempre arrebentando competência e liderança. Por isso, falei pro Guina q ele era o mais autorizado pra escrever as memórias do curso. Disse e repito: ninguém melhor do que o Banzé! Mas, claro q todos devemos dar uma ajuda. E esta é a minha!
E pra terminar, minha saudade pergunta: onde estarão a Natalina, o Adão, o ADão com "d" grande?... e tanta gente q o tempo se encarregou de separar. Mas, se pergunta, também declara: vocês ficaram pra sempre em minha vida!
Uma imensa ternura pra todos e todas, Mauricio.
     Carlos > O curso (Artigo 99) era bárbaro. Dava uma sensação de utilidade e de serviço enorme. Lembro que eu dei aula de Geografia e ficava elaborando apostilas e provas e coisas do gênero. Em que pese não ser minha primeira experiência no magistério (a primeira foi na mesma Igreja de São Geraldo, junto com um padre anterior aos três espanhóis - alfabetização de adultos. Credo! Eu devia ter uns 13-14 anos!), foi fundamental para depois ser o professor que sou. Até hoje, quando estou com meus alunos, principalmente os de Iniciação da Pós, experimento a proximidade que tinha com aqueles, e lembro.
     Vera > Realmente o texto do Carlos De foi de uma grande profundidade!!!
Ele fez com que eu recordasse de um fato que aconteceu comigo em outubro de 1989.
Eu, mais a Fernanda, Raquel e Alvaro sofremos um acidente de carro, onde a Nanda ficou em pior situação, sendo removida para a UTI de uma Clínica no Jardim Botânico. O Alvaro a acompanhou e meu compadre, padrinho da Raquel, ficou com ela, que só sofreu pequenos arranhões.
No acidente eu fraturei o calcanhar e me vi sozinha na Clínica Balbina, aguardando atendimento e tb esperando que alguém aparecesse pra me acompanhar!!!
Foi ai que chegou um rapaz perto de mim, que, ao me ver chorando, perguntou se eu queria ajuda!!!
Eu confesso que fiquei sem graça, e qdo já ia dizer que tudo bem, não precisava!!!, ele me perguntou se eu não era professora!!!!
Respondi imediatamente que não, mas ele insistiu e perguntou meu nome. Ao responder, ele começou a chorar e disse que eu tinha sido professora dele no artigo 99, e que ele nunca mais tinha visto a mim e aos outros professores que tanto o tinham ajudado na vida!!!!
Agradeceu muito, e o que mais ainda me sensibilizou foi ele dizer que agora era Químico
e funcionário concursado da Petrobras. E que devia tudo isso a nós, que fomos seus professores qdo ele não tinha a mínima condição de estudar!!! Fiquei muito emocionada e senti no fundo do coração a sensação de dever cumprido!!!
Agora tou passando para todos a gratidão deste aluno, e qtos mais devemos ter ajudado!!!!
     Bandeira > Realmente, Galera, aquela proposta de trabalharmos com a educação, em um curso supletivo, voltado para pessoas carentes, e que surgiu como forma de enfrentarmos a repressão do regime militar que se abateu sobre nós, de forma violenta, naquele final de 1968 ("O Ano que não terminou", leiam a obra do Zuenir Ventura!), com a edição do AI-5 e a prisão de Perfeito, Emílio (mais quem?), exatamente quando nos preparávamos para participar de uma feirinha na Praça das nações, em Bonsucesso, para angariarmos fundos para ajudar na compra de uma casa para uma senhora pobre que morava no hoje "Complexo do Alemão", em Olaria (lembro-me: estava voltando do Colégio Ferreira Viana, no famigerado Caxias-Praça da Bandeira, quando ouvi pelo rádio do ônibus que havia sido editado o AI-5, e ao chegar na Pça. das Nações, encontrei todo mundo assustado, com a notícia da prisão dos companheiros...), a alternativa de "enfrentamento" da ditadura militar, através da educação de adultos, foi resultado brilhante do nosso devotamento à causa dos oprimidos, com resultados fantásticos naquele universo de múltiplos jovens universitários, nas mais variadas carreiras, contando com as habilidades de cada um (a exemplo do extraordinário devotamento de Zu e Natália na Secretaria do Curso, datilografando apostilas em stencil para serem rodadas em mimeógrafo Gestetner...) e adquiriu feições revolucionárias, de vanguarda em educação, pois podíamos oferecer diversas especializações em cada disciplina, como professores de Álgebra, Aritmética, Geometria, etc, diversas especialidades em Ciências, Português, História –  até mesmo um "especialista" em História Antiga, que passou quase 6 meses em Egito Antigo, um certo Luiz Antônio, lembras Murad? – , e até mesmo aqueles que cursando outro curso, caprichavam no preparo de aulas de outra disciplina, a exemplo do Carlos Rivoredo, que cursando Medicina, ensinava Geografia, tudo isso nos engrandeceu e possibilita que reencontremos, como no caso da Verinha, agradecidos cidadãos que alimentam o mais profundo agradecimento por aquela santa iniciativa. INESQUECÍVEL!!!!!
Beijão a todos, Luiz Antônio Bandeira – Especialista em Egipto Antigo

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

023 > O Primeiro Acampamento

Mergulhando profundamente no passado, Bandeira traz à tona...

O Primeiro Acampamento

No fatídico ano de 1966, quando o Rio de Janeiro se viu assolado por violentas chuvas que provocaram graves acidentes como a queda de encostas, desabamento de prédios residenciais em áreas urbanizadas (Stª Teresa, Cosme Velho, etc...), deixando um rastro de centenas de mortos e milhares de desabrigados, um pequeno grupo de rapazes adolescentes, criados desde a 1ª infância naquela estrita faixa de terra espremida entre o fundo da Baía de Guanabara e o maciço montanhoso hoje chamado de "Complexo do Alemão", atravessada por dois corredores demarcatórios, a velha linha ferroviária da Leopoldina, que se estendia até a então capital da Baixada Fluminense, Caxias, percorrida por seus comboios ainda do século XIX, e a moderníssima Avenida Brasil, com suas largas pistas concretadas (que atravessávamos em alegres bandos para nos banharmos na Praia de Ramos, nossa principal diversão nos verões suburbanos cariocas), esses adolescentes, em nº aproximado de oito, que haviam iniciado uma aproximação com os padres da Igreja de São Geraldo, às proximidades da Estação de Olaria, e que através da grande habilidade do jovem Pe. Severiano, missionário secular, recém chegado da Espanha, mergulhado no "aggiornamento" pós Concílio Vaticano II (Viva João XXIII!), constituíram o primeiro núcleo do que viria a chamar-se a "Turma de Olaria".
Por sugestão do Pe. Severiano, organizou-se o 1º acampamento, na Praia da Barra de Guaratiba, num terreno ao lado de uma pequena capela, no alto de um morro ainda totalmente arborizado (um resquício da Mata Atlântica), com vista frontal e total da fabulosa Restinga da Marambaia, já àquela época ocupada pelos militares e de acesso vedado aos civis.
Os preparativos para o tal acampamento mobilizaram toda a paróquia, até mesmo com a cessão de barracas de lona do grupamento de escoteiros da matriz, naturalmente que estes, os escoteiros, vedados de participarem do evento, dado o repúdio que já professávamos por essas organizações tradicionais.
Obtidas as autorizações familiares, feita a "vaquinha" financeira para a compra de gêneros e mantimentos, realizada uma visita prévia ao local, cedido através do ex-pároco de São Geraldo, Pe. Zé Maria, naquele momento vigário em Guaratiba, o grupo de jovens, liderado pelo Pe. Severiano, tomou o rumo, de trem e ônibus, via Campo Grande, para Guaratiba, apesar da chuva que começara a cair naquele início de semana de janeiro de 1966.
Com dificuldades, carregando mochilas, barracas de lona, sacos de panelas e mantimentos, escorregando na lama que escorria enxurrada abaixo, pelo morro, chegamos à área escolhida, demarcamos os espaços para a armação das barracas, cavamos trincheiras para o escoamento da água, armamos as barracas naquele fim de tarde. Improvisamos um fogão no coreto ao lado da capela, onde preparamos nossa primeira refeição, já noite: café com leite, sanduíche de pão com ovo frito - delícia reconfortante à umidade já reinante.
Ansiosos pela novidade, 1ª noite nas barracas do acampamento, logo nos recolhemos às mesmas. Breve fantasia. A tempestade agravou-se e nossos leitos ficaram encharcados. Operação retirada e abrigar-se no coreto onde passamos uma noite no chão duro, com frio, pois lençóis e cobertas ficaram molhados.
No dia seguinte, a chuva não deu trégua. Constatamos que havia muitas goteiras no coreto; conseguimos abrir a porta da capela, onde nos instalamos com armas e bagagens, cada um ocupando um banco de missa, que passou a ser a nossa confortável cama pelo resto daquela venturosa semana.
Assim se passaram a 3ª e a 4ª feira, chovendo ininterruptamente. Nossas diversões restringiam-se a preparar a alimentação (03 refeições-dia), alguns jogos, brincadeira de adivinhar nomes de filmes, encarnações mútuas, confidências em grupo ou em pares, algumas celebrações da palavra e liturgia, conduzidas pelo Pe. Severiano. 
Na 5ª feira, finalmente, as nuvens começaram a se dispersar, o sol começou a aparecer timidamente, e nós pudemos descer do morro e acessar a praia, com as águas barrentas e cheias de detritos, mas que serviu de cenário para nos esbaldarmos até 6ª feira, quando após o almoço (muito macarrão e arroz com salsichas, cardápio invariável), iniciamos nosso retorno. 

O grupo mais numeroso, que residia na Rua 13 do IAPI da Penha, ao assomar à Rua e seus blocos de apartamentos, foi saudado com aflição pelos vizinhos, aliviados por nos verem saudáveis e bronzeados, preocupadas que estavam as famílias por conta da ausência de notícias, agravada pelas catástrofes que haviam atingido a cidade.
Aos irmãozinhos Augusto, Dourival, Emílio, Ricardo, Luluca,  Perfeito, Severiano e outros porventura não citados, meu eterno afeto.
  Luiz Antônio Bandeira.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

019 > Tava na Ilha!... Eles ficam nus... Ela fica a pé!...

Teve esta história maluca de uma ida noturna a uma praia da Ilha do Governador, aqui a várias vozes....

Luiz Cesar conta: Lembro que uma vez estávamos em uma pizzaria na ilha do Governador (tava na ilha, heim!!!) na Kombi do Pe. Cipriano (????) à noite e assim que acabamos, claro, resolvemos ir embora e todos embarcaram na Kombi – mas não permitimos que Linda embarcasse e fomos embora com a Kombi, e começamos a gritar... ALEIJADO VAI A PÉ!!! Vai a pé...  (isso é um absurdo, meu... O que estou falando, o que fizemos, qual é??... Fizemos e fazíamos tudo de novo!!!)
Fizemos também um planejamento, por muito tempo, que era pegar a Linda e colocá-la no vão central da ponte Rio-Niteroi e deixar a cadeirinha de rodas vir rodando por si só...

Vera se assusta: Gente, isto foi horrível!!! Mas me lembrei, foi real!!!!
Ah! mas alguém a salvou!!!! Quem foi? Somente ela pode responder!!!!...............
Bjs,
Verinha

Bandeira arremata: Cesinha!
Acho que era a kombi do Pe. Sebastião Cachaça, de Manguinhos (o Cipriano não tinha carro à época), que nos deixou na Ilha ("TAVA NA ILHA!!!"), e após o fechamento dos bares, fomos para as areias da Praia do Jardim Guanabara, momento no qual tomei meu 1º banho de mar nu, seguido pelo Guina, e quando decidimos seguir para outra praia, pedimos carona a uma Kombi, que foi imediatamente ocupada pela galera, deixando a Linda de fora. E, para espanto do motorista, quando a mesma gritou: “E eu?”, recebendo a resposta: "ALEIJADO VAI A PÉ"!!!
Eu e mais alguns "caridosos" permanecemos com a mesma, não me lembrando agora qual foi a saída encontrada para reencontrarmo-nos em outro local.
Agora, o planejamento de colocação da cadeira de rodas da Linda no vão central da Ponte Rio-Niteroi é por demais CRUEL!!!!!! Só mesmo essa cabeça tresloucada do Finfa poderia lembrar-se desse episódio!
Amo muito todos vocês!
Beijão,
Band.

De minha parte, lembro de uma mesa de bar do outro lado da rua estreita, em frente a uma praia sem ondas, acho que Cocotá (ou de Olaria, em alguns mapas...). Além de Bandeira, Luiz Cesar, Vera e Linda, lembro do Emílio. 
Conversas importantíssimas, muita cerveja e, lá pras 3h da manhã, antes de ir embora, banho de mar pelado nas águas mornas da baía da Guanabara. Saindo da água, percebi que sumira no mar, ainda bem!, uma corrente de cobre que usava e que costumava me deixar uma faixa verde no pescoço...

Outras histórias desta história?...

sábado, 25 de setembro de 2010

009 > Nas idas e vindas a Foz do Iguaçu

Abrindo espaço para outras fotos desta viagem a Foz do Iguaçu (aliás, a Puerto Stroessner, até fomos ao Cassino!), estes registros saídos diretamente da potente máquina fotográfica de Luiz Cesar (que também identifica as figuras).


Em frente ao Edifício Itália, São Paulo:
Luiz Cesar, Regina, Carlos Dé e Macarrão.
 


Nas Sete Quedas, Guaíra: 
Emílio, Perfeito (de capuz), Augusto, o guia e Luiz Cesar

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

001 > Viagem da turma de Olaria a Foz do Iguaçu

Turma de Olaria posa em Porto Epitácio/SP, entre tripulantes da chata - foto enviada por Luiz César.
 
Viagem da turma de Olaria a Foz do Iguaçu em (?) de 1969.
A turma de Olaria posa em Presidente Epitácio/SP, à margem do Rio Paraná, 
divisa com o atual Mato Grosso do Sul, ao embarcar na balsa com destino a Guaira/PR, 
local onde existiam as "Sete Quedas ", depois encobertas pelo lago da hidrelétrica de Itaipu.


Identificação atualizada em 18/09/10...
Todos reconhecidos na foto, não restam dúvidas sobre a chata (mas, de qualquer modo, deixo lá as duas interrogações). Os demais, certamente, são "da terra" ou, no caso, "do rio"...