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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

065 > Outras paradas da Zona

É na base da conversa (neste blog, pelo menos) que a gente recupera (ou recria...) a História!
Continua o zunzunzum em torno dos clubes da Zona da Leopoldina, que as atividades sociais e esportivas sempre motivaram – agora nem tanto – a moçada...
Difícil é organizar esta conversaria toda... Só editando as mensagens (só este assunto) e montando uma espécie de diálogo fragmentado, um jeito da gente circular por mais clubes (e outras paradas) da Zona da Leopoldina.
 
Grêmio Social Paranhos - Google Maps
Entre os poucos outros clubes que frequentei na área, não posso deixar de citar aqueles em que joguei futebol de salão. O primeiro, ainda na infância, na rua Piriá, em Brás de Pina, era só uma quadra e um "barraco" no fundo (hoje é um prédio). 
Já na fase da turma de Olaria, umas peladas no Grêmio Social Paranhos, quase no morro do Alemão, cujo time disputava campeonato carioca e tudo. 
E ainda o Esporte Clube Lígia, um pequenininho, na rua Vitorino do Amaral, pertinho da vila da própria rua Lígia em que morei com a Soninha, num casarão de 2 andares, onde Bandeira protagonizou uma das maiores feijoadas da minha vida! 

E, mais tarde, bem depois da turma de Olaria, na virada dos anos 90, até fui sócio do Olaria A. C., quando morei na esquina de Firmino Gameleira e Carlina, com a Regina e filhas. Fui à piscina algumas vezes, vi um jogo ou outro, dei só uma olhada nos bailes. Mas, deles eu não esqueço, provocavam altas crises: quando as garotas entraram na adolescência ninguém mais conseguiu impedi-las de os frequentar... Uma delas até fugiu de casa para ir ao baile num domingo à noite!... [Guina]

Olaria. Ponto de caça do meu irmão Pedro. A gente ia escondido, porque meu pai achava que o clube não era para rebentos de famílias de bem. Ele preferia que frequentássemos o Social Ramos Clube. [Carlos]

Social Ramos Clube - Google Maps, 2009
 O Social Ramos Clube, que hoje tenta recuperar um pouco dos dias de glória (veja o vídeo na matéria do jornal Extra). [Guina]


E o Cortume Carioca Social Clube, localizado na Rua Montevidéo, na Penha, em uma época que o grandioso Cortume Carioca dominava a paisagem industrial da velha Penha?
Inclusive me lembrei que essa mesma Rua Montevidéo, face a vizinhança do Cortume, tinha dezenas de fábricas de calçados e lojas de revenda, que eram o "point" do Rio, em termos de lançamentos de calçados e venda a preços de fábrica. Toda a Leopoldina e grande parte do Rio de Janeiro ia à rua Montevidéo para comprar calçados a preços convidativos. Aos sábados a rua Montevidéo fervilhava, além da gloriosa feira livre que até hoje ali funciona. [Bandeira]

Cortume Carioca Social Clube - Google Maps, 2009
Quanto ao Cortume, na verdade, o endereço que achei (esse aí da foto) é da Rua Conde de Agrolongo nº 959. No portão, anunciam Equipe Storm Combat e aulas de judô, e há uma placa da prefeitura oferecendo ginástica para a 3a idade. [Guina]

Glorioso não era o CCSC, o clube, que sempre foi assim mesmo, esmirradinho, bem ao contrário do GREIP, Olaria A. C., Bonsucesso F.C., Social Ramos Clube (onde fomos a um baile após a apresentação de "Morte e Vida Severina", lembras?) mas sim o Cortume Carioca S. A., hoje um cemitério, com suas quadras inteiras em completo abandono.  [Bandeira]

Carlão, tinha o Clube Jacurutã...  na rua Jacurutã... certo?  Tinha aquele Clube da Boiada,  que Da. Arlete (da Rua 10) comandava com o marido dela – tinha o Baile das Flores.  Tinha o Onze Estrelas em Ramos, o Social Ramos Clube do outro lado e o do lado de cá, qual era? [Luiz Cesar]

O Clube da Boiada (Olaria) era o Coringa, está lá até hoje, na rua Cmte. Vergueiro da Cruz. Dancei no Lígia em Ramos, este na rua Lígia, e tinham um senhor time de futebol de salão.
Esporte Clube Lígia - Google Maps

O Clube dos "Coroas" em Ramos, bailes nos finais de semana. O nome quem souber, ajude a lembrar. Clube dos Taifeiros – em Bonsucesso, atrás da SUAM, bailes memoráveis, galera dançante, grandes conjuntos musicais, "Devaneios", "Peter Thomas", Banda do Bebeto, Brasil Show (maravilhosos), Banda "Charme", "Copa 7", "Lafayete", torneio de dança de salão, tudo antes do Circo Voador, do nosso querido Perfeito. Na Zona da Leopoldina, os bailes de finais de semana eram concorridos, maravilhosos, até nas roupas a rapaziada se esmerava, eram sapatos do Motinha, do Meu Tio, feitos à mão, por verdadeiros artesãos, roupas feitas, confeccionadas em costureiras, camisas finas, e a "noite era uma criança". Os perfumes Artimatic (argentino), Lancaster (quem não usou??), Atkinsons, seria Glostora nos cabelo???...... Que tal Gumex??????..... Ou Óleo de Bourbon (Rsssss, sou antigo). Corte de cabelo ou "Principe Danilo” ou "Cadete", gente, tá "navegando"????..... Meninos eu vi, e essa era a nossa Leopoldina. Carlos Alberto (Finfa’s Brother). [Carlos Alberto]

Carlão, vejo que o Coringa ainda existe. Deste eu me lembrava pq ficava no meu caminho preferido para ir ao IAPI. Por ali morou também o Bonilha, como já contou há um tempo atrás. [Guina]

Carlão!
Flanavas em todos os universos! No caso, os pequenos clubes socais, periféricos, dentro de cada bairro da Leopoldina.
Sem falar nas famosas gafieiras, Vaz lobo, Madureira, Cascadura etc, dos anos 30/40/50 do século passado, que não chegamos a frequentar, mas das quais ouvia muitas estórias. [Bandeira]

A lembrar a todos, um dos fatos relevantes da década de 60, na Leopoldina, o grande Parque Aquático do Olaria, que revolucionaria toda a população, e a lembrar a figura do grande Álvaro da Costa Mello, que tornou possível todo esse sonho. Com certeza, outros da TO saberão contar em detalhes e fotos essa história de arrojo do nosso querido Olaria (OAC). [Carlos Alberto]
.
Olaria Atlético Clube - piscina
Quanto ao Olaria, além dos remos, outra pergunta: algum dia fizeram jus ao "Atlético" do nome?... 
Nunca ouvi falar de um atleta olariense (de corrida, salto etc)...
[Guina]

Quase todos os clubes sociais, de grande ou pequeno porte, tinham suas mais diversas equipes de atletas, que participavam das inúmeras competições públicas, que eram promovidas desde a era getulista.
Lembro-me, na minha infância, as inúmeras jornadas de corridas a-pé, de bicicleta, seus garbosos atletas, cujas organizações escolhiam as ladeiras e ruas do IAPI, por conta da impecabilidade de suas pistas em alvenaria de altíssimo nível!
Devem existir registros de imagens dessa época. [Band.]

Posso garantir que corridas disputadas, rally em duas rodas (cycles), havia na Rua Angélica Motta, a Estrela Motos, gente que mexia com motos e, creio, bicicletas. A Estrela Motos era uma das maiores oficinas da época áurea das motos - corridas e bicicletas. Se algum de nós da TO conheceu o dono, ou donos da Estrela (encravada em Olaria), de lá provavelmente sairão histórias destas corridas do circuito da Leopoldina, que incluía o IAPI "novinho em folha", com piso em concreto, conforme nosso Bandeira relata abaixo [Carlos Alberto Campos]

E, de volta à TO, não podemos deixar de lembrar do Mello Tênis Clube, que é meio fora da área mas deixou marcas na nossa história. Recuperei dos arquivos este relato do Bandeira e a resposta da Verinha...
.
Lembrem-se dos convites que recebemos, após a apresentação de "Morte e Vida Severina" na sede do Melo Tênis Clube, para um baile no mesmo, todos vestidos de traje passeio-completo, SENSACIONAL!
Aliás, nessa noite do baile, quando nos encontramos já prontos para ir ao mesmo, a maioria com ternos emprestados de cunhados (meu caso) e de outros, lembro-me muito bem de uma das "Maldades" que eram praticadas, uma delas protagonizada por Carlos Dé e Paulinho Caifáz, esse uma cobra venenosa: Dé apareceu "Linda" de terno, acompanhado da eternamente orgulhosa de seu parceiro, Kika, e no meio daquela algazarra, lá no porão da igreja, Caifáz disse a seguinte "Maldade": "Dé é o próprio PAVÃO” – bonito na parte de cima, mas ao olharmos para os pés, dava para perceber que usava um par de meias de cores muito estranhas, que contrastavam com a sobriedade de seu traje.
Mello Tênis Clube, salão de baile - do vídeo do site
Isso é que era "Maldade", das mais bravas, derrubada, díriamos hoje, prática à qual poucos escapavam naquele maravilhoso grupo.
Saudades e abraços para todos, inclusive aqueles que já viraram "Fumaça Colorida" ou "Purpurina", e estão a navegar no universo.
Luiz Antônio Bandeira.

Luiz Antonio,
Sua memória é 1000!!!!!
Lembrei do Baile do Mello!!!
Foi genial!!
Lembro que fui com o Zé Manoel!!! Lembra dele?
Ele passou lá em casa primeiro, e conversando com meu pai, Sr. Darcy, degustou quase todo o vinho que este tinha fabricado artesanalmente, com a desculpa de que era português, e apreciava o mesmo!!!!
Lembranças!!! Vale a pena recordar!!! Você tem razão!!!
Guina, não reclama e trate de incrementar o blog!
Beijos,
Vera

terça-feira, 9 de agosto de 2011

064 > Os clubes da Leopoldina

Bonsucesso F.C., com sua feirinha
Foto Fernando Martinez
            A conversa começou com o destaque feito pelo Carlos Alberto:

Para regozijo da imensa platéia e amigos da Zona da Leopoldina, informo que o querido Bonsucesso acaba de ser Campeão da Série B do Campeonato Carioca, já ano que vem na Serie A, com os  4 grandes. Agora a Leopoldina, tem o Olaria, o Bonsucesso e a Imperatriz Leopoldinense. Notícias do Bonsuça, acessem Fanáticos pelo Cesso. 
O espírito de Leonidas da Silva , o grande "Diamante Negro" baixou em Teixeira de Castro, onde Leonidas apareceu, década de 30, se não estou enganado.
Saudações Rubro-Anis,
Carlos Finfa, 29/07/11

Concordei plenamente!... E percebi que ele assumiu a marca da família Finfa, título honorífico de seu irmão Luiz Cesar...

Bonsucesso F. C. - Estádio Leônidas da Silva
Foto blog Fanáticos pelo Cesso
Boa lembrança, Carlos Finfa,
viva o grande Bonsuça, campeão da 2a divisão!
Quem morou com vista para o Estádio Leônidas da Silva (acho que nem tinha este nome, à época) foram o Paulo Anás e a Delair. Lembro de ir ao apto deles qdo nasceu o primeiro filho (Leonardo, não?), a Dela se esforçando para amamentar o guri ao lado da janela, com o campo do Bonsuça ao fundo, lá embaixo.
Tá na hora da Zona da Leopoldina arrebentar a boca do balão!
[Só que balão tá meio proibidão...]
Abs,
Guina 

 

Bandeira não podia deixar de dar seu pitaco...

Sessão Nostalgia Total!
Salão do GREIP da Penha
Capoeira de Mestre Sardinha, 2010 (vídeo)
Só falta ressuscitarem o GREIP do IAPI da Penha, e seus inesquecíveis bailes com a Orquestra Tabajara do Severino Araújo, ou o Centro Cívico Leopoldinense e seu minúsculo e aconchegante salão de bailes, ou mesmo o Cortume Carioca Social Clube, onde Dª Léa da rua 13 do IAPI promoveu a festa de 15 anos de sua filha Diva (grande paixão da minha vida), com valsa de 15 pares, e que acabou com o "desaparecimento" dos milhares de salgadinhos que a mesma preparara por semanas, resultando no maior fracasso da referida festa, aguardada por todos.
Essa "memória" foi de lascar, não acham?
Abração,
Centro Cívico Leopoldinense - Rua Quito - Google Maps
 Luiz Antônio.
.

            Carlos Alberto Finfa contra-atacou...

O Blog dos  Fanáticos pelo Cesso é beleza pura, o hino toca o tempo todo,  é de Lamartine Babo, o grande americano, compositor de quase todos hinos de clubes do Rio. Bandeira , o GREIP está em atividade, tem até piscina, balé, Yoga, Capoeira e tudo mais. O CCL está meio parado, o Cortume - closed!!... 

Bem, esta semana passei pelo Country Club Brás de Pina, tá lá, firme. 
Eram de lá amigos da Turma da Zero Hora. Esta Turma, com a Turma da Pax (da Penha), que frequentei, e a do Bar Jamaica (Ramos), eram as Turmas da Leopoldina que rivalizavam com a Turma do Imperator (Méier), esta na Zona da Central.       
        
Brás de Pina Country Clube - Dez/2009 (vide faixa) - Google Maps

            Bandeira se desmanchou em saudades...

Carlão,
relembrar o Brás de Pina Country Clube foi demais!
Quando estiver aí no Rio, em fins de agosto (que amanhã se inicia...), será que conseguiríamos organizar um Baile da Saudade no Brás de Pina Country Club?
Brás de Pina, foi um bairro de classe média do subúrbio da Leopoldina, habitado por finas famílias (anos dourados).
Agora, lembrar da Turma da Pax, Bar Jamaica e Turma do Imperator, foi acima de tudo!
Abração,
Bandeira         


            Eis que Luiz Cesar, o primeiro (e não mais o único) membro da família Finfa, arrematou:

Guina, acho legal essa conquista do Bonsucesso e que Carlão – que é América – fique empolgado, e tem no momento para quem torcer – é da zona da Leopoldina – já que o nosso America "está por baixo". [rebaixado para a 2ª divisão do Campeonato Carioca]
    Mas, aproveito o momento futebolístico e envio – para colocação no blog TO – as cores do nosso Olaria Atlético Clube, que também está na 1ª divisão do Campeonato Carioca e deve rivalizar com o Bonsucesso.
E temos que torcer para o Olaria – não tem como não fazê-lo...
LC Finfa                     



Questões tão transcendentais, emotivas, que mexem com o nosso passado leopoldinense, não poderiam deixar de estar presentes nas virtuosas páginas virtuais do blog da turma de Olaria... 



Então, para manter o clima, aí vai, em azul e branco, uma panorâmica do estádio do Olaria A. C.
Olaria Atlético Clube - Panorâmica de Vitor Rodrigo Dias

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

030 > Praia de Ramos, nos primórdios da turma de Olaria!

Carlos Alberto, irmão do Finfa, manda um relato de um Rio maravilhoso de antanho.

Começa citando Juarez, hoje na...
Juarez em Jurujuba - nov 67
...Chapada dos Guimarães. Lá ele é bastante conhecido, já esteve em programa da Globo em reportagens na Chapada. Conseguiremos, creio, contatá-lo em jornais, ONGs, dados de organizações, pousadas da Chapada dos Guimarães. Estive lá, há tempos atrás, com meu filho Douglas, porém não estive com Juarez, é batalhar para colocá-lo na turma de Olaria. Tenho foto dele, uma turma indo na boiada (Olaria) a caminho da Praia de Ramos, nosso point praieiro.
Da praia de Ramos, me lembro do grupo de "Medicinobol", grande bola pesada de couro, creio que cheia de areia, jogada pelos "marombeiros" daquela época, da academia do Waldemar "Sujeira", lembras???.......
Os fotógrafos de "monóculos", batendo fotos das "beldades" da praia de Ramos. O raspa-raspa de "groselha" vendido à beira-mar. Íamos de boia de caminhão, quanto maior, mais  "status", meu pai me presenteou e ao Luiz Cesar (Finfa) um par de óculos, com snorkel, nadadeiras, para mergulharmos. Veja só, na praia de Ramos, era eu chamado de Mike Nelson, personagem, mergulhador de renome em seriado americano, na TV Tupi, creio.
Da praia de Ramos, ví o grande Nero Moura da FAB, cmte. da esquadrilha na Itália, na Segunda Guerra, passar com seu T-6 por debaixo da ponte do Galeão, uma epopéia à  época, era o "Nero Maluco", e havia os "iates" do Iate Club de Ramos, onde eu tinha amigos que possuíam "Snipes" para velejar, o Mário do Colégio Santa Teresa, elite,  naquela época, com dólmã de milico e tudo em cima.
O Bar Bambú, ao fundo da Praia de Ramos, maloca do Dicró, dos sambistas, bêbados, uma orgia à beira mar, mas organizada.
A Avenida Brasil, antes e até tempos depois era a "Variante", como se denominava na época. Ia pegar (esperar)  meus tios que vinham de Teresópolis no ÙTIL, ônibus "coach" americano, parecia um foguete, parava na "Fazendinha", Escola Agrícola Wenceslau Bello. Creia, amigo, ônibus paravam na Av. Brasil, ali em Olaria.
O frescobol era jogado por uma turma da rua 10 (éramos craques), menos que o Millor Fernandes (inventor do frescobol),  mas dávamos nossas "raquetadas". Pegava as bolas no TTC (Tijuca Tênis Clube), onde nadava com o Luiz Cesar (Finfa). Lá, as pedia aos boleiros que arranjavam algumas, que raspávamos na pedra até ficarem lisinhas para a atividade do frescobol, década de 60, veja  bem!!
Quero deixar registrado que o passeio a Jurujuba, estava  lá, com a  Turma de Olaria. Jurujuba, era uma vila de  pescadores, simples, amendoeiras, bucólica mesmo. Abraços, repasse se puder à Turma de Olaria.  
Saudações, Carlos Alberto Campos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

028 > Os padres

Paulo Vendrami põe um pouco de seriedade nesta coisa...
Lembra uma referência fundamental, aliás, fundante: os padres.
Diz Vendrami: Vejo que a Turma de Olaria não é apenas uma criação, mas uma instituição. Como tal deveria ter sede, secretária e telefone. Que furor... Acampamento em Floripa, em Guaratiba, em Angra, viagem para Pres. Prudente. Em todos eles, onipresente, está o nosso grande guia, o Band.
Mas a história seria muito diferente se não tivesse havido o apoio dos padres de São Geraldo. E o apoio existiu e aqui estamos nós, com um mar de histórias a rastrear nossa história.
Eu me lembro que em 66 estava recolhido ao convento franciscano na Praça Rui Barbosa, em Curitiba. Estudava Filosofia, Psicologia, Ética, Cosmologia... Que entendia eu disso tudo, com a cabeça fervendo aos 22 anos?
Curitiba foi meu primeiro contato com a cidade grande, roceiro que sou. Muitos encontros de igrejas, por influência do Concílio Vaticano II, com o magnânimo João XXIII. Muita presença do existencialismo, visto que Sartre estava ainda vivo e exercia muita influência no "engajamento" e "aggiornamento" [teologia da libertação] da igreja católica.
O Roberto Carlos começa a cantar suas canções românticas e num sábado à noite ele apareceu num palco na praça Rui Barbosa, com centenas de meninas gritando pelo rei do ie ie ie. Música alta. Eu ouvi do convento... A repressão comia, nas ruas, nos quartéis, no Vale da Ribeira, mas disso eu não sabia... 
Acrescento eu, Guina: Posso dizer relativamente pouco sobre os padres. Minha ligação era com a turma e só “lateralmente” com eles. Na verdade, eles estendiam (eu sabia) um grande guarda-chuva sobre nós. Sem a atitude democrática, praticamente libertária, deles, não teríamos feito quase nada do que estamos contando...
Mas, também, continuavam sendo, para mim, figuras de autoridade, até porque ligadas a uma estrutura de poder pesada, a Igreja Católica. Então não conseguia conviver de igual para igual.  Exceto (para lembrar algo pontual) quando jogava xadrez com o Cipriano nas salinhas abaixo da igreja. Lembro de uma partida que foi até umas três da manhã, ele preocupado com compromissos matinais, jogo em equilíbrio total... que, não lembro, mas acho que ele perdeu pq tinha que ir dormir...
Ah, e de uma situação dramática: o dia em que Cipri falava com alguém lá embaixo, pela beirada do pátio da casa paroquial, e, ao se virar, pisou num miquinho do tamanho de um passarinho que criava, que não resistiu aos ferimentos, deixando todos nós altamente consternados... [Isso aconteceu mesmo? Acho que sim, ficou forte na memória.]
Os demais padres, de certo modo, eram pontos de apoio, especialmente nas viagens. Eu, na prática, deixava a liderança de momento do grupo, digamos assim, negociar com eles...
De qualquer modo, tenho um sentimento de gratidão por todos eles (e seria injusto não ter), pelo que usufruí com a turma, mas também pelo que vi de quanto eles foram úteis à vida de tantas outras pessoas.
 Bandeira escreve sobre o Padre Cipriano:
Já o conhecia anteriormente à formação da Turma de Olaria, pois o mesmo dava assistência espiritual à sogra de meu falecido irmão Jorge Eduardo Bandeira, Dª Jandira, que morava na antiga Rua 9, lá no IAPI, e vivia completamente entrevada numa cama de hospital, apenas mexendo com a cabeça, sendo alimentada na boca e asseada na própria cama, tarefa na qual minha falecida mãezinha passou a ajudar.
Sempre alegre, jovial, esbanjando vida, não foi ele que nos deu assistência quando formamos o grupo de jovens em São Geraldo, tarefa que foi exercida inicialmente pelo Pe. Severiano. Quando Severiano resolveu fundar uma nova paróquia no Largo do Bicão, Cipriano assumiu, com muito gosto, a tarefa de dar-nos acompanhamento.
Iniciaram-se anos de ternura e alegrias, dentro daquela filosofia esposada pelos mesmos (Antônio, Severiano e Cipriano) de não interferirem diretamente na nossa formação e orientação, participando quase que em pé de igualdade das nossas discussões e reflexões, ajudando-nos enormemente a superar aqueles vícios de formação tradicional, especialmente desviando o foco da noção de "PECADO" das infrações individuais cometidas, especialmente àquelas de natureza sexual, quase que invariavelmente associadas aos questionamentos humanos à vontade de Deus.
Lembro-me de que procurei um Padre em São Geraldo para confessar meus pecados e receber a absolvição, a fim de participar da Páscoa Escolar do Colégio Ferreira Viana (1967), onde fazia o ginasial e onde conheci o Mauricio.
Cipriano me atendeu e nos dirigimos para dentro da Igreja; quando eu ia em direção ao confessionário, ele pegou-me pelas mãos e convidou-me para sentar-nos num banco da igreja, frente à frente; meu coração batia aceleradamente!
Ao narrar-lhe meus "pecados" de natureza sexual, o mesmo, assombradamente para mim, declarou que aquelas práticas não eram pecado, pois integravam a natureza que Deus nos deu, e portanto, eram naturais.
PECADO era não amar o próximo, ficar indiferente ao sofrimento alheio, à miséria e à fome que atinge nossos semelhantes.
Saí dali eufórico e deslumbrado, acreditando que aquela era a verdadeira religião e o destino de todos os homens.
Envolvi-me gradativa e completamente com a Política, assumindo metas as quais persigo até hoje!
UFA! Que Depoimento! Lavei o coração.
Beijos a todos, Luiz Antônio Bandeira.
Postagem aberta para lembranças sobre os incríveis padres com que convivemos, ok?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

023 > O Primeiro Acampamento

Mergulhando profundamente no passado, Bandeira traz à tona...

O Primeiro Acampamento

No fatídico ano de 1966, quando o Rio de Janeiro se viu assolado por violentas chuvas que provocaram graves acidentes como a queda de encostas, desabamento de prédios residenciais em áreas urbanizadas (Stª Teresa, Cosme Velho, etc...), deixando um rastro de centenas de mortos e milhares de desabrigados, um pequeno grupo de rapazes adolescentes, criados desde a 1ª infância naquela estrita faixa de terra espremida entre o fundo da Baía de Guanabara e o maciço montanhoso hoje chamado de "Complexo do Alemão", atravessada por dois corredores demarcatórios, a velha linha ferroviária da Leopoldina, que se estendia até a então capital da Baixada Fluminense, Caxias, percorrida por seus comboios ainda do século XIX, e a moderníssima Avenida Brasil, com suas largas pistas concretadas (que atravessávamos em alegres bandos para nos banharmos na Praia de Ramos, nossa principal diversão nos verões suburbanos cariocas), esses adolescentes, em nº aproximado de oito, que haviam iniciado uma aproximação com os padres da Igreja de São Geraldo, às proximidades da Estação de Olaria, e que através da grande habilidade do jovem Pe. Severiano, missionário secular, recém chegado da Espanha, mergulhado no "aggiornamento" pós Concílio Vaticano II (Viva João XXIII!), constituíram o primeiro núcleo do que viria a chamar-se a "Turma de Olaria".
Por sugestão do Pe. Severiano, organizou-se o 1º acampamento, na Praia da Barra de Guaratiba, num terreno ao lado de uma pequena capela, no alto de um morro ainda totalmente arborizado (um resquício da Mata Atlântica), com vista frontal e total da fabulosa Restinga da Marambaia, já àquela época ocupada pelos militares e de acesso vedado aos civis.
Os preparativos para o tal acampamento mobilizaram toda a paróquia, até mesmo com a cessão de barracas de lona do grupamento de escoteiros da matriz, naturalmente que estes, os escoteiros, vedados de participarem do evento, dado o repúdio que já professávamos por essas organizações tradicionais.
Obtidas as autorizações familiares, feita a "vaquinha" financeira para a compra de gêneros e mantimentos, realizada uma visita prévia ao local, cedido através do ex-pároco de São Geraldo, Pe. Zé Maria, naquele momento vigário em Guaratiba, o grupo de jovens, liderado pelo Pe. Severiano, tomou o rumo, de trem e ônibus, via Campo Grande, para Guaratiba, apesar da chuva que começara a cair naquele início de semana de janeiro de 1966.
Com dificuldades, carregando mochilas, barracas de lona, sacos de panelas e mantimentos, escorregando na lama que escorria enxurrada abaixo, pelo morro, chegamos à área escolhida, demarcamos os espaços para a armação das barracas, cavamos trincheiras para o escoamento da água, armamos as barracas naquele fim de tarde. Improvisamos um fogão no coreto ao lado da capela, onde preparamos nossa primeira refeição, já noite: café com leite, sanduíche de pão com ovo frito - delícia reconfortante à umidade já reinante.
Ansiosos pela novidade, 1ª noite nas barracas do acampamento, logo nos recolhemos às mesmas. Breve fantasia. A tempestade agravou-se e nossos leitos ficaram encharcados. Operação retirada e abrigar-se no coreto onde passamos uma noite no chão duro, com frio, pois lençóis e cobertas ficaram molhados.
No dia seguinte, a chuva não deu trégua. Constatamos que havia muitas goteiras no coreto; conseguimos abrir a porta da capela, onde nos instalamos com armas e bagagens, cada um ocupando um banco de missa, que passou a ser a nossa confortável cama pelo resto daquela venturosa semana.
Assim se passaram a 3ª e a 4ª feira, chovendo ininterruptamente. Nossas diversões restringiam-se a preparar a alimentação (03 refeições-dia), alguns jogos, brincadeira de adivinhar nomes de filmes, encarnações mútuas, confidências em grupo ou em pares, algumas celebrações da palavra e liturgia, conduzidas pelo Pe. Severiano. 
Na 5ª feira, finalmente, as nuvens começaram a se dispersar, o sol começou a aparecer timidamente, e nós pudemos descer do morro e acessar a praia, com as águas barrentas e cheias de detritos, mas que serviu de cenário para nos esbaldarmos até 6ª feira, quando após o almoço (muito macarrão e arroz com salsichas, cardápio invariável), iniciamos nosso retorno. 

O grupo mais numeroso, que residia na Rua 13 do IAPI da Penha, ao assomar à Rua e seus blocos de apartamentos, foi saudado com aflição pelos vizinhos, aliviados por nos verem saudáveis e bronzeados, preocupadas que estavam as famílias por conta da ausência de notícias, agravada pelas catástrofes que haviam atingido a cidade.
Aos irmãozinhos Augusto, Dourival, Emílio, Ricardo, Luluca,  Perfeito, Severiano e outros porventura não citados, meu eterno afeto.
  Luiz Antônio Bandeira.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

018 > De carona para o sul, com Vendrami e Renato

Vendrami envia a descrição de mais uma viagem ao estilo da turma de Olaria...

De carona com o Renatão para o sul

O Renatão era meu vizinho no IAPI da Penha, quando eu estava aquartelado na casa do Bandeira, do Bandeirão e de Da. Maria. Falando em ir de férias na casa de minha família em SC, o Renato se interessou em me acompanhar e fomos nós rumo sul, ao sabor da caronagem da turma para Foz do Iguaçu. A viagem da turma para o oeste do PR fez escola. Devia ser janeiro de 1971. Mochila ou bolsa, o Renatão com seu oclinhos de desenhista e eu com o meu fundo de garrafa fomos para a via Dutra, que caronear na Av. Brasil não dá pedal. O moço do Renault Dauphine (existiu isto?) vende fumo e se dignou nos ter como companheiros de viagem até Barra Mansa. Baldeação. O profissional do volante nos olha com certo espanto, tentando adivinhar o que querem dois rapazes na beira da estrada, que para ele é trabalho e para nós é só aventura.  Agora é um caminhão, altão, ronco poderoso. Visão panorâmica. Vira pra cá, vira pra lá, contornando as meias laranjas do Vale do Paraíba. Viajar de graça é uma delícia, uma deliciosa irresponsabilidade.
Periferia de São Paulo. Atravessamos a metrópole e agora tem a Regis Bittencourt com gosto de sul. Muita floresta. Muito buraco. Estrada da Morte. Sobe e desce serra. Carrega banana,  peças de automóvel, cama de campanha, minério ou vaso sanitário. Obrigado, moço. Vamos de novo para o acostamento. Melhor é ser perto da Polícia Rodoviária que é mais seguro, mas eu não ficaria tranqüilo se meu filho se metesse numa viagem dessas.
Chegamos em Curitiba, cidade sorriso. Grana curta, fomos à  procura de uma pousada, que dormir no banco da praça é quase humilhação. Acabamos numa casa de fama duvidosa. Percebendo a situação, pulei para trás como que picado por uma cobra. Eu garanto que foi o sacana do Renatão que me armou aquilo, porque ele ria do meu embaraço de ex-seminarista... Feito isto, fomos bater no convento. Eu estivera atrás destes sagrados muros em 66/67. O Frei Solano se apiedou de nós e nos ofereceu a sede do grupo de escoteiros. O chão é duro, mas acima de nós tem um teto. Eu conhecia o lugar porque fora Kaá de Lobinhos, tendo como Aquelá uma linda loura, de porte alemão, chamada Ingrid. Agradáveis lembranças...   Lugar mais digno e seguro do que as casas das mulheres do mundo... Sonhos com caminhos e caminhões. Café da manhã de pão com manteiga. Obrigado, frei, paz e bem.   
Rumo a Lages, paisagens, sotaques, caras e ares familiares, pinheiros e pinheirais, o planalto catarinense. O moço que nos aceita como companheiros leva a sua carga e nós levamos os olhos cheios de aventura e ingenuidade. Inocentes anos 70. Mas tem que ter um papo adequado com o irmão da estrada, dizem os entendidos...
Em Lages, ficamos na casa de periferia de meu irmão bombeiro que, fugido de uma enchente numa plantação de arroz, começava nova vida, com a Edite que foi minha coleguinha de escola primária (nos anos 50). Ele esperava ficar rico comprando o carnê do Baú da Felicidade, do Silvio Santos, vendedor de ilusões...
Ficamos uns dias olhando aquele planalto que nunca se acaba e descemos para Blumenau, acho que desta vez foi de ônibus. Parece que aquela estrada não era muito aconselhada a caroneiros. Nesta bela cidade do vale do Itajaí, Renato ouviu papos familiares em italiano, comeu polenta com queijo, chucrute e salsicha com mostarda escura e apreciou as galegas espetaculares que enfeitam suas lojas e ruas. E então voltou pra casa, para o IAPI. De busão. 
Eu fiquei mais umas semanas para dar uma circulada na casa dos meus bravos irmãos, migrantes da roça que iniciavam vida e família na cidade industrial. E então eu, catarioca, voltei para a vida dura de trabalho e estudo aqui no velho Rio, minha cidade de adoção. De busão...  
Paulo Vendrami
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domingo, 19 de setembro de 2010

004 > Encontro "10 anos depois", 1985

Delair, Betinha, Mauro, Renato, Banze, Alvaro e Vera
Verinha, de Brasília, sentida e surpresa:
“Tem razão, precisamos prestar uma pequena homenagem aos nossos amigos que se foram. Assim como vc, só soube da Adri a uns 10 dias atrás, mas soube agora do Renato. Nem meu pai [que morou até há pouco no IAPI da Penha] tá sabendo.”






E manda a foto do Renatão no meio do grupo, num encontro que intitulou “10 anos depois”, acontecido em 1985, na casa de Hermínia e Gil, em Olaria.
Alvaro, Linda, Mauro, Carlos







 



       Que ainda contou, entre outros, com a presença de Carlos, vindo de São Paulo.